.
quando se trabalha como ator é importante e muito saber quem se é de verdade. pois você experimenta muitos outros em você, outros tipos, outros gostos, outros gestos e falas, pensamentos. e é preciso sair com toda propriedade para esse novo ser, do contrário não chega. do contrário fica máscara. fica pela metade.
quando se trabalha como ator é preciso não ter medo de caminhar em trilha escura, sem saber pra onde se vai. gostei muito da imagem que ouvi dizer de joão e maria na floresta colocando o pãozinho na estrada, para não se perder na volta. pois sim. é muito importante conhecer como se retorna. é muito importante, para não se perder.
quando se trabalha como ator é preciso correr, ou caminhar lentamente, sem olhar para trás. e depois ter certeza de como se volta pra casa. é preciso não ter vergonha de experimentar, de tentar. dançar na beira do abismo como quem não se importa com o mundo lá debaixo, mas acha bonito. e a cada dança rebolar de um jeito, a cada passo poder ter um trejeito, a cada novo quem, experimentar um novo ser. então ajuda muito que no dia a dia o ator experimente ser neutro. não é regra, é apenas um passo a menos a se dar a cada construção. apenas não precisar desmoronar um prédio para construir outro, sempre que se for trabalhar. ajuda ao ator poder ser sempre terreno baldio, pronto para qualquer edificação.
quando se trabalha como ator normalmente se pensa muito pouco nisso tudo e normalmente somente se faz, e faz, e faz, e fazendo vai pensando cada vez menos.
por isso é tão importante o caminho de volta. é importante não se perder por aí nem construir prédio sobre prédio, sobre casa, sobre barraco, sobre palácio. respirar. uma coisa de cada vez.
(nunca pensei que fosse tão importante trabalhar como não ator, para esclarecer tanta coisa de quando se trabalha como. e nunca pensei que ser ator pudesse melhorar tanto uma pessoa.)
sigamos.
gostou?
gostou?
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Pra Ser Feliz Com Chá
era noite, noite fria. tentou sair, mas a coragem foi ali e não voltou. era dia que ele não viria. era aliás dia longe ainda de ele vir. frio aumenta. já começava cedo a cansar em demasia, muito ainda estava por vir e energia teria de se tirar da... do... de onde? teria de se tirar, não importa. o grande evento se aproximava e não era hora para espirros. e ainda mais esse peito manhoso. o tempo da distância dele apenas começava e não era hora para saudades. quase entristeceu. e por que foi? por nada. foi só um vento que passou. recolheu, fez um pastel de forno de maçã com canela para comer com chá, tudo bem, foram dois pastéis, e foi ali, ser feliz pra dentro.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
DEZ
dez dedinhos é a primeira conta que se aprende a fazer na
mão, já que toda a turma na sala de aula tem igual. em tese todos temos dez
dedinhos embora já se chegue a presidente mesmo sem que seja assim, não vem a
ser ponto determinante.
dez por cento. de faltas, é menos do que se podia ter na
adolescência, no colégio, e ainda assim parecia pouco. dez por cento de faltas hoje
é muito mais do que se pode ter. pois as faltas de gente grande são outras e
nós mesmos é que somos os responsáveis por cobrá-las. dez por cento no entanto
nem se parece tanto ao se comparar com cem. mas é parte determinante quando se
conquista, em cifrões, esse valor além.
nota dez. grau máximo, tudo o que se quer pós desfile de escola de samba: dez, nota dez. na prova, no desfile de miss, no karaokê, no quesito de zero a dez todos querem chegar ao máximo. miss sunshine não conseguiu e era bem mais que dez, mundo injusto, esse nosso. digo, esse, dos filmes.
nota dez. grau máximo, tudo o que se quer pós desfile de escola de samba: dez, nota dez. na prova, no desfile de miss, no karaokê, no quesito de zero a dez todos querem chegar ao máximo. miss sunshine não conseguiu e era bem mais que dez, mundo injusto, esse nosso. digo, esse, dos filmes.
a camisa dez atualmente perdeu um bocado a importância, mas
já foi símbolo das maiores estrelas futebolísticas do país. dez era camisa de
rei. hoje fazem pouco caso, trocam por cifrões em poucos meses, mas essa
história é outro papo que não vale a pena entrar agora...
dez foram os ditos que moisés recebeu pra contar pra todo
mundo. e não é que todo mundo acreditou? e até hoje? quer dizer, hoje em dia tem
gente que nem sabe e nem quer saber. tem os que já não dão mais atenção. tem os
que chamam de tábua de lei a madeira chique da mesa de jantar. outros tempos.
e as listinhas que todo mundo quer fazer: top dez melhores
músicas, top dez melhores filmes, viagens, livros, discos... quem são os seus
top dez?
dez mil anos. é vida longa, muito longa. e há quem diga, em
música, já haver vivido lá. ou melhor, ter nascido lá. será? será, raul, será?
e dez meses?
dez meses é mais do que uma gestação humana e é menos do que
uma volta inteira da terra em torno do sol. dez meses.
em dez meses de convivência você já conhece um tanto. e
ainda se surpreende. você já sabe agradar. e ainda erra na dose. você está
começando. e já caminhou um bocado.
dez meses é também tempo suficiente pra se querer abandonar
um plano, desistir de um sonho, enjoar da cara de alguém.
ou não.
domingo, 13 de maio de 2012
Feliz Ano Novo
eu tratava a realidade como a quem se pode controlar. bobinha. e o ano novo então vem num rompante de vira avesso que te faz pensar e repensar a vida. te coloca novamente sozinha na ilha deserta cercada de um mar de possibilidades. eu sou míope. como saber por onde navegar?
eu desmontei minha montanha de lego e comecei novamente do chão. pecinha por pecinha ando criando um novo formato, novas cores. eu tenho muita dúvida sobre que peça usar. sobre onde colocar. tenho dúvida se é de lego mesmo que eu gosto... eu nem mesmo sei por que isso. estou criando uma nova montanha mas talvez eu mesma a destrua, antes que alguém o faça. será tão grande assim o prazer de estar no comando?
eu sinto saudades, medos, dúvidas, aflições. e faz frio. e a cama voltou a ser grande.
e é engraçado que no mar, no meio de um caixote, o meu corpo permanece leve e respirando tranquilamente. ando conseguindo deixar a maré levar pra onde for... e deixo...
e consigo, por exemplo, olhar para trás e me sentir mais feliz agora. feliz não sei, mais inteira, ao menos. talvez esteja gargalhando menos. mas hoje, logo hoje, chego ao fim do dia e percebo que nem fiquei sentimental.
é isso. depois de tranto tropeço, hoje me sinto mais forte. como se pudesse desviar no meio da queda, amenizando o tombo.
feliz dia das mães.
eu desmontei minha montanha de lego e comecei novamente do chão. pecinha por pecinha ando criando um novo formato, novas cores. eu tenho muita dúvida sobre que peça usar. sobre onde colocar. tenho dúvida se é de lego mesmo que eu gosto... eu nem mesmo sei por que isso. estou criando uma nova montanha mas talvez eu mesma a destrua, antes que alguém o faça. será tão grande assim o prazer de estar no comando?
eu sinto saudades, medos, dúvidas, aflições. e faz frio. e a cama voltou a ser grande.
e é engraçado que no mar, no meio de um caixote, o meu corpo permanece leve e respirando tranquilamente. ando conseguindo deixar a maré levar pra onde for... e deixo...
e consigo, por exemplo, olhar para trás e me sentir mais feliz agora. feliz não sei, mais inteira, ao menos. talvez esteja gargalhando menos. mas hoje, logo hoje, chego ao fim do dia e percebo que nem fiquei sentimental.
é isso. depois de tranto tropeço, hoje me sinto mais forte. como se pudesse desviar no meio da queda, amenizando o tombo.
feliz dia das mães.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Vida Nova
feliz vida nova para você que esse ano deu uma baita gargalhada. e para você que chorou cântaros.
feliz vida nova para você que foi despedido. e para você que ganhou trabalho novo.
feliz vida nova.
para você que encontrou um amor. e você que se despediu de um outro. feliz vida nova.
para você que realizou um sonho. para você que ainda sonha.
para você que ganhou um filho. para você que perdeu uma avó.
feliz vida nova.
para você que mergulhou no mar. feliz vida nova.
para você que sentou na areia.
para você que foi viajar. para você que meditou em casa. para você que tomou um porre. para você que quis só uma taça. para você que disse eu te amo. para você que escreveu uma carta.
feliz vida nova.
para você que admitiu um erro.
feliz vida nova.
para você que se achava certa.
feliz vida nova.
para você que tremeu de medo. para você que ardeu em coragem.
feliz vida nova.
que um ano é mais um dia. e que um dia tudo muda.
feliz vida nova, que vida é ciclo.
.
feliz vida nova para você que foi despedido. e para você que ganhou trabalho novo.
feliz vida nova.
para você que encontrou um amor. e você que se despediu de um outro. feliz vida nova.
para você que realizou um sonho. para você que ainda sonha.
para você que ganhou um filho. para você que perdeu uma avó.
feliz vida nova.
para você que mergulhou no mar. feliz vida nova.
para você que sentou na areia.
para você que foi viajar. para você que meditou em casa. para você que tomou um porre. para você que quis só uma taça. para você que disse eu te amo. para você que escreveu uma carta.
feliz vida nova.
para você que admitiu um erro.
feliz vida nova.
para você que se achava certa.
feliz vida nova.
para você que tremeu de medo. para você que ardeu em coragem.
feliz vida nova.
que um ano é mais um dia. e que um dia tudo muda.
feliz vida nova, que vida é ciclo.
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sábado, 10 de setembro de 2011
Paris I
eu achava que a cidade era a minha cara. ou que eu era a cara da cidade. achava, por puro palpite. eram os filmes que eu achava um charme, as roupas que pareciam lindas, a educaçao que eu via distante, o silencio, a beleza, o preto e branco.
imaginava paris uma cidade em sepia, as vezes em preto e branco.
com trilha sonora de piaf.
entao vi de perto, vi de dentro, vim ate ela.
e descobri que sim, é a cidade mais fotogenica na qual ja estive, linda, linda linda em qualquer canto que voce se enfie, tem uma elegancia a coisa café-plateia a cada esquina, cadeiras todas viradas para ver o mundo passar...
e o mundo passou.
aqui, descobri que nao era bem a cidade que encantava, mas uma epoca, um tempo, aquele observado por mim nos filmes que tanto gostava.
e hoje nao ha mais. nem o silencio, nem a elegancia das roupas, o sepia, passou.
paris tambem globalizou.
tem lixo no metro, tem gente que corre e força a porta na hora que ela acabou de fechar, tem muita gente na rua o tempo todo e a muita gente toda tem uma camera na mao e um sorriso posado, tem transito a beça, muitos pedintes, enfim. cidade grande.
creio que a minha cara... foi um seculo onde nunca estive e nem nunca poderei visitar.
imaginava paris uma cidade em sepia, as vezes em preto e branco.
com trilha sonora de piaf.
entao vi de perto, vi de dentro, vim ate ela.
e descobri que sim, é a cidade mais fotogenica na qual ja estive, linda, linda linda em qualquer canto que voce se enfie, tem uma elegancia a coisa café-plateia a cada esquina, cadeiras todas viradas para ver o mundo passar...
e o mundo passou.
aqui, descobri que nao era bem a cidade que encantava, mas uma epoca, um tempo, aquele observado por mim nos filmes que tanto gostava.
e hoje nao ha mais. nem o silencio, nem a elegancia das roupas, o sepia, passou.
paris tambem globalizou.
tem lixo no metro, tem gente que corre e força a porta na hora que ela acabou de fechar, tem muita gente na rua o tempo todo e a muita gente toda tem uma camera na mao e um sorriso posado, tem transito a beça, muitos pedintes, enfim. cidade grande.
creio que a minha cara... foi um seculo onde nunca estive e nem nunca poderei visitar.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Mulher Moderna x Princesinha do Papai
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confesso que não sei se gosto do resultado alcançado pelas atitudes das nossas queridas e velhas amigas radicais dos sutiãs queimados...
muito fácil, sei, dizer isso sendo hoje mulher que trabalha, trabalha no que gosta, faz suas escolhas e não tem lá que ficar dando satisfação diária ao sair de casa.
tão fácil, sei, quanto dizer como é bela a grama do vizinho sem ser você quem rega e cuida e corta e, e, e.
e é claro que para chegar a qualquer equilíbrio é necessário desequilibrar para o outro lado, a fim de ter a balança no ponto do meio...
mas penso.
teria sido talvez mais fácil continuar tudo como estava.
era coisa estabelecida, tarefas divididas, cartilha conhecida, decorada, sem indagação. você sai para trabalhar, eu fico e cuido da casa e dos filhos. e não era preciso tirar dúvida alguma, ultrapassar limites, era terreno seguro.
antes que me joguem pedras, recorro então aos que já tem a mira em minha direção: me respondam então o que fazer em cada situação que aparece?
pois de minuto em minuto tudo muda e eu não sei mais a quem recorrer, se à mulher maravilha ou à bonequinha indefesa.
que a mulher moderna precisa ser prática, independente, poder sustentar sua casa, sua vida, suas escolhas, sozinha. e ser bem sucedida e subir de cargo pelos valores intelectuais e nunca aceitar que ele pague a conta inteira. e trocar a lâmpada, desparafusar o lustre, matar barata, abrir vidro de palmito, sem fazer cara feia. e à noite subir no salto, caprichar no rímel e sorrir tranquila. e de dia trocar o lixo, guardar as roupas bem dobradas, passar seu próprio café e tudo isso em tempo recorde pois tem hora pra sair para o trabalho...
isso sem falar nas que tem filhos.
lindo, uma antes utopia, hoje realidade. é mulher quem governa o país.
ou seja, nascemos em época que não existe a opção não ser super herói. a mim nunca foi dada outra escolha. aprende e aceita.
porém.
paralelamente a isso, quando se conhece um cara por quem você realmente se interessa, é preciso deixar toda a sabedoria de lado.
é hora de ser menina, lembrar da princesinha do papai que sorri de longe e não aborda, ser frágil e tímida, boba e passiva, pois assim é que se deve ser. assim é que você vai ser respeitada como mulher. não pode ser forte, não pode abrir o vidro que você já está cansada de saber abrir, ser independente é desaforo, não pode. é preciso saber jogar, saber fingir fragilidade.
na boa, colegas feministas do passado:
preferia não ter tido nunca de aprender a ser mais eu.
se eu tivesse nesses trinta e um anos apenas aprendido a ser a princesinha do papai, talvez hoje me desse muito melhor nesses jogos esquisitos em que os amores me colocam.
não gosto, não quero jogar.
se me fossem dadas opções, talvez eu sentasse comportada à espera do companheiro pro baile.
ou simplesmente me despediria, olhos baixos, deixando o salão. tirando o time de campo.
mas essa regra é coisa do passado. é cafona, démodé.
ai, que saudade dos tempos da vovó que eu não vivi...
.
confesso que não sei se gosto do resultado alcançado pelas atitudes das nossas queridas e velhas amigas radicais dos sutiãs queimados...
muito fácil, sei, dizer isso sendo hoje mulher que trabalha, trabalha no que gosta, faz suas escolhas e não tem lá que ficar dando satisfação diária ao sair de casa.
tão fácil, sei, quanto dizer como é bela a grama do vizinho sem ser você quem rega e cuida e corta e, e, e.
e é claro que para chegar a qualquer equilíbrio é necessário desequilibrar para o outro lado, a fim de ter a balança no ponto do meio...
mas penso.
teria sido talvez mais fácil continuar tudo como estava.
era coisa estabelecida, tarefas divididas, cartilha conhecida, decorada, sem indagação. você sai para trabalhar, eu fico e cuido da casa e dos filhos. e não era preciso tirar dúvida alguma, ultrapassar limites, era terreno seguro.
antes que me joguem pedras, recorro então aos que já tem a mira em minha direção: me respondam então o que fazer em cada situação que aparece?
pois de minuto em minuto tudo muda e eu não sei mais a quem recorrer, se à mulher maravilha ou à bonequinha indefesa.
que a mulher moderna precisa ser prática, independente, poder sustentar sua casa, sua vida, suas escolhas, sozinha. e ser bem sucedida e subir de cargo pelos valores intelectuais e nunca aceitar que ele pague a conta inteira. e trocar a lâmpada, desparafusar o lustre, matar barata, abrir vidro de palmito, sem fazer cara feia. e à noite subir no salto, caprichar no rímel e sorrir tranquila. e de dia trocar o lixo, guardar as roupas bem dobradas, passar seu próprio café e tudo isso em tempo recorde pois tem hora pra sair para o trabalho...
isso sem falar nas que tem filhos.
lindo, uma antes utopia, hoje realidade. é mulher quem governa o país.
ou seja, nascemos em época que não existe a opção não ser super herói. a mim nunca foi dada outra escolha. aprende e aceita.
porém.
paralelamente a isso, quando se conhece um cara por quem você realmente se interessa, é preciso deixar toda a sabedoria de lado.
é hora de ser menina, lembrar da princesinha do papai que sorri de longe e não aborda, ser frágil e tímida, boba e passiva, pois assim é que se deve ser. assim é que você vai ser respeitada como mulher. não pode ser forte, não pode abrir o vidro que você já está cansada de saber abrir, ser independente é desaforo, não pode. é preciso saber jogar, saber fingir fragilidade.
na boa, colegas feministas do passado:
preferia não ter tido nunca de aprender a ser mais eu.
se eu tivesse nesses trinta e um anos apenas aprendido a ser a princesinha do papai, talvez hoje me desse muito melhor nesses jogos esquisitos em que os amores me colocam.
não gosto, não quero jogar.
se me fossem dadas opções, talvez eu sentasse comportada à espera do companheiro pro baile.
ou simplesmente me despediria, olhos baixos, deixando o salão. tirando o time de campo.
mas essa regra é coisa do passado. é cafona, démodé.
ai, que saudade dos tempos da vovó que eu não vivi...
.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
chega o inverno e dentro é quente
.
apesar das tantas trocas do passado, pessoas inesquecíveis, outras altamente esquecíveis, apesar das caras de frente à realidade doída, dos "não"s recebidos, dos "sim"s esquecidos, apesar de ter de carregar, às vezes, pesos tamanhos que as costas não se sabiam agüentar, apesar de ter de crescer mais rápido do que o relógio interno, de ter de assumir sem se saber possível, apesar de cair e tombar e ter que chorar escondido, apesar da máxima "a vida é dura" se encaixar perfeitamente na sua e você poder afirmá-la com toda seriedade e gravidade, apesar de tudo isso e mais.
acordar sorrindo um riso sincero e sair sem medo do que a vida traz e, ainda assim, acreditar que é possível o amor (qual seja, como seja), abrir os olhos bem abertos no horizonte sempre novo e inspirar acreditando... é impagável.
apesar das tantas trocas do passado, pessoas inesquecíveis, outras altamente esquecíveis, apesar das caras de frente à realidade doída, dos "não"s recebidos, dos "sim"s esquecidos, apesar de ter de carregar, às vezes, pesos tamanhos que as costas não se sabiam agüentar, apesar de ter de crescer mais rápido do que o relógio interno, de ter de assumir sem se saber possível, apesar de cair e tombar e ter que chorar escondido, apesar da máxima "a vida é dura" se encaixar perfeitamente na sua e você poder afirmá-la com toda seriedade e gravidade, apesar de tudo isso e mais.
acordar sorrindo um riso sincero e sair sem medo do que a vida traz e, ainda assim, acreditar que é possível o amor (qual seja, como seja), abrir os olhos bem abertos no horizonte sempre novo e inspirar acreditando... é impagável.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Garimpando Rascunho Antigo
com muita vontade de gritar tanto silêncio prensado no peito e em poucos segundos desistindo de tal, achei por bem catar rabisco já outrora feito. e o momento era até parecido, não tenho mais as tardes calmas e prontas para preencher de vinho e dvd.
esse antigo caiu como uma luva...
algum dia do ano passado:
que hoje tem muita coisa na minha cabeça.
saí de manhã lembrando que possuo uma agenda para ajudar nessas horas, mas sempre a esqueço em casa ou simplesmente esqueço aonde a esqueci.
então passei o dia tendo faíscas de memória e estalos de "amanhã à tarde tinha o que mesmo?" ou então saía correndo porque sabia que tinha pouco tempo, mas era pra ir pra onde...?
ufa, isso cansa mais do que pedalar subindo a ladeira contra o vento.
então agora que terminei e dei conta de todo um dia, taça de vinho adiante, cabeça mais devagar, lembro que foram muitos os assuntos que passaram correndo e eu mal vivi.
terminei o dever de casa e não sei se gostei do que fiz, veio a prima que eu não via há tanto e eu mal fiz companhia, comprei o colchão que faltava e não vi se é bom, ele telefonou depois de semanas e não lembro o que respondi, fui até o centro resolver pendenga e achei tão rápido, fiz a aula de canto que tanto queria e não sei se aprendi a música, trabalhei como todos os dias e não vi o que escrevi, comecei o dia em duas rodas e por qual caminho mesmo eu fui?
sei que às vezes peço para o dia passar depressa, mas é da boca pra fora.
na verdade me mal acostumei com a rotação baixa das tardes...
na verdade eu gosto mesmo de poder ficar quietinha assistindo o desenho em japonês e querendo que a montanha de travesseiros na cama se transforme em você, assim, como num passe de mágicas de miyasaki.
é que a virar mulher maravilha um dia ou outro eu já aprendi.
mas tem certos superpoderes que, infelizmente, ainda me faltam...
esse antigo caiu como uma luva...
algum dia do ano passado:
que hoje tem muita coisa na minha cabeça.
saí de manhã lembrando que possuo uma agenda para ajudar nessas horas, mas sempre a esqueço em casa ou simplesmente esqueço aonde a esqueci.
então passei o dia tendo faíscas de memória e estalos de "amanhã à tarde tinha o que mesmo?" ou então saía correndo porque sabia que tinha pouco tempo, mas era pra ir pra onde...?
ufa, isso cansa mais do que pedalar subindo a ladeira contra o vento.
então agora que terminei e dei conta de todo um dia, taça de vinho adiante, cabeça mais devagar, lembro que foram muitos os assuntos que passaram correndo e eu mal vivi.
terminei o dever de casa e não sei se gostei do que fiz, veio a prima que eu não via há tanto e eu mal fiz companhia, comprei o colchão que faltava e não vi se é bom, ele telefonou depois de semanas e não lembro o que respondi, fui até o centro resolver pendenga e achei tão rápido, fiz a aula de canto que tanto queria e não sei se aprendi a música, trabalhei como todos os dias e não vi o que escrevi, comecei o dia em duas rodas e por qual caminho mesmo eu fui?
sei que às vezes peço para o dia passar depressa, mas é da boca pra fora.
na verdade me mal acostumei com a rotação baixa das tardes...
na verdade eu gosto mesmo de poder ficar quietinha assistindo o desenho em japonês e querendo que a montanha de travesseiros na cama se transforme em você, assim, como num passe de mágicas de miyasaki.
é que a virar mulher maravilha um dia ou outro eu já aprendi.
mas tem certos superpoderes que, infelizmente, ainda me faltam...
quinta-feira, 3 de março de 2011
Carnaval
então o mundo jogava serpentinas e confetes, a cidade depositava as bebidas no gelo à espera das muitas bocas sedentas que viriam provar aquela alegria prometida de uma semana suspensa no tempo.
então os casais se distanciavam e buscavam motivos quaisquer, um palito, seis minutos de atraso, um copo fora do lugar. e era muito e passava a ser insuportável o convívio apenas para que pudessem farrear sem culpa, ou descansar sem medo do que seria capaz o outro.
então vestiam cores e brilhos, máscaras e desejos ocultos, na tentativa de não mostrar a pele crua, a alma aberta, os olhos nus. alguns se escondiam assim, outros escandalizavam, e de longe ficava uma massa muito bonita que marchava rumo à exaltação e liberdade.
então era uma cidade em festa e pela primeira vez me perguntei o motivo para tal.
e, também pela primeira vez, sorri sem jeito, pedi licença e fui atrás do meu silêncio necessário.
boa semana a todos!
então os casais se distanciavam e buscavam motivos quaisquer, um palito, seis minutos de atraso, um copo fora do lugar. e era muito e passava a ser insuportável o convívio apenas para que pudessem farrear sem culpa, ou descansar sem medo do que seria capaz o outro.
então vestiam cores e brilhos, máscaras e desejos ocultos, na tentativa de não mostrar a pele crua, a alma aberta, os olhos nus. alguns se escondiam assim, outros escandalizavam, e de longe ficava uma massa muito bonita que marchava rumo à exaltação e liberdade.
então era uma cidade em festa e pela primeira vez me perguntei o motivo para tal.
e, também pela primeira vez, sorri sem jeito, pedi licença e fui atrás do meu silêncio necessário.
boa semana a todos!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Amor?
.
domingo assisti ao novo longa do joão jardim no festival de brasília.
título: "amor?"
.
me intrigou a interrogação.
porque tem muita gente que dá nome de amor sentimentos outros que, segundo meu entendimento, passam bastante longe disso: dependência, insistência, covardia, doença, fissura... isso para pegar leve. o filme trata de casos extremos de gente que não pega nem um pouco leve.
casais que se "amam" tanto que destroem a vida do outro. e a própria.
mas perguntas valem até mesmo para o mais sutil dos casos. aliás, é no mais sutil dos casos que vale a pena interrogar.
porque quando você fala de um cara que chegou a colocar uma arma dentro da boca da "amada", a história ecoa tão distante da nossa realidade que raramente seríamos capazes de nos identificar com a raiz da questão.
mas vejamos.
tirando a violência física, de tirar sangue, tirando a violência psicológica, de enlouquecer e acabar com a liberdade do outro, tirando os casos extremos.
será que nós mesmos não nos violentamos sutilmente, em nome do "amor"?
que amor é esse?
que visa a diminuição do outro, que pouco acrescenta, que a união é mais apego do que real vontade?
que apego é esse? carência da mão dada? medo de sentirmo-nos sós, ou apenas uma maneira de ficar bem na foto, acompanhado?
se vivemos as nossas escolhas, podemos e devemos escolher o nosso bem... não?
e esse amor, é ele um bem? traz ele um bem?
amor pra mim soma, não subtrai.
amor pra mim até sobrevive apesar de. apesar do desgaste do tempo, da dispersão da distância, sobrevive a pequenas falhas, desleixos ou raivas passageiras.
mas escuta.
tudo tem limite.
tudo.
e tem de ter.
e só a gente é quem pode impor onde é que termina o outro e começa o nosso. onde é que "daqui não passa".
as mulheres personagens do filme estão, por sorte, vivas. e puderam contar aquelas histórias.
e se estão vivas foi porque, no meio do turbilhão, conseguiram por um ponto final.
que no fundo
no miolo do furacão
no nó principal do problema
é a gente quem decide por qual caminho quer passear.
domingo assisti ao novo longa do joão jardim no festival de brasília.
título: "amor?"
.
me intrigou a interrogação.
porque tem muita gente que dá nome de amor sentimentos outros que, segundo meu entendimento, passam bastante longe disso: dependência, insistência, covardia, doença, fissura... isso para pegar leve. o filme trata de casos extremos de gente que não pega nem um pouco leve.
casais que se "amam" tanto que destroem a vida do outro. e a própria.
mas perguntas valem até mesmo para o mais sutil dos casos. aliás, é no mais sutil dos casos que vale a pena interrogar.
porque quando você fala de um cara que chegou a colocar uma arma dentro da boca da "amada", a história ecoa tão distante da nossa realidade que raramente seríamos capazes de nos identificar com a raiz da questão.
mas vejamos.
tirando a violência física, de tirar sangue, tirando a violência psicológica, de enlouquecer e acabar com a liberdade do outro, tirando os casos extremos.
será que nós mesmos não nos violentamos sutilmente, em nome do "amor"?
que amor é esse?
que visa a diminuição do outro, que pouco acrescenta, que a união é mais apego do que real vontade?
que apego é esse? carência da mão dada? medo de sentirmo-nos sós, ou apenas uma maneira de ficar bem na foto, acompanhado?
se vivemos as nossas escolhas, podemos e devemos escolher o nosso bem... não?
e esse amor, é ele um bem? traz ele um bem?
amor pra mim soma, não subtrai.
amor pra mim até sobrevive apesar de. apesar do desgaste do tempo, da dispersão da distância, sobrevive a pequenas falhas, desleixos ou raivas passageiras.
mas escuta.
tudo tem limite.
tudo.
e tem de ter.
e só a gente é quem pode impor onde é que termina o outro e começa o nosso. onde é que "daqui não passa".
as mulheres personagens do filme estão, por sorte, vivas. e puderam contar aquelas histórias.
e se estão vivas foi porque, no meio do turbilhão, conseguiram por um ponto final.
que no fundo
no miolo do furacão
no nó principal do problema
é a gente quem decide por qual caminho quer passear.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Mosaico
e quanto mais se sorri por fora
mais arde dentro
e o quanto mais linda, mais brilho, mais dança
mais por dentro se contorce
mosaico
a figura bela e curiosa
de mil caquinhos lado a lado
certas coisas não podem ser o outro a te ensinar
mas, querendo ou não, a gente passa a saber
a gente aprende sozinho.
mais arde dentro
e o quanto mais linda, mais brilho, mais dança
mais por dentro se contorce
mosaico
a figura bela e curiosa
de mil caquinhos lado a lado
certas coisas não podem ser o outro a te ensinar
mas, querendo ou não, a gente passa a saber
a gente aprende sozinho.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Aprendendo
.
certa vez me ensinaram a fazer uma fogueira.
eu precisava de gravetos, galhos de várias espessuras e lenhas mais grossas, fogo... e oxigênio.
acender os gravetos com o fogo, ir passando para os galhos cada vez mais grossos, dar aquela sopradinha pra brasa pegar.
e deixar o ar agir.
deixar o fogo respirar para a fagulha virar chama: fluf!
que sem oxigênio, o fogo apaga.
.
certa vez me ensinaram a fazer massa de pizza.
eu precisava de farinhas, azeite, fermento biológico, sal, água morna...
e espaço... e tato.
fazer o monte de farinha e sal com o buraquinho no meio. diluir o fermento na água morna, o azeite só pra soltar da mão.
e saber o grau da força da mão.
e ter espaço na bacia pra deixar a massa descansar
que sem espaço, a massa não tem pra onde crescer.
.
certa vez me ensinaram a revelar fotos no quarto escuro.
eu precisava de papel fotográfico, negativo, a maquininha de copiar, muitas químicas, lâmpada vermelha... e tempo.
colocar o negativo na maquininha, o papel fotográfico logo abaixo, fazer a reprodução, deixar o papel de molho na química.
e esperar.
que se tirar o papel antes da hora, a imagem não aparece.
.
vez nenhuma me ensinaram sobre como lidar com o amor.
mas algo me diz que muito tem a ver com ar, espaço, tato e tempo.
que parece mesmo conseguirmos muito aprendendo por associação.
.
certa vez me ensinaram a fazer uma fogueira.
eu precisava de gravetos, galhos de várias espessuras e lenhas mais grossas, fogo... e oxigênio.
acender os gravetos com o fogo, ir passando para os galhos cada vez mais grossos, dar aquela sopradinha pra brasa pegar.
e deixar o ar agir.
deixar o fogo respirar para a fagulha virar chama: fluf!
que sem oxigênio, o fogo apaga.
.
certa vez me ensinaram a fazer massa de pizza.
eu precisava de farinhas, azeite, fermento biológico, sal, água morna...
e espaço... e tato.
fazer o monte de farinha e sal com o buraquinho no meio. diluir o fermento na água morna, o azeite só pra soltar da mão.
e saber o grau da força da mão.
e ter espaço na bacia pra deixar a massa descansar
que sem espaço, a massa não tem pra onde crescer.
.
certa vez me ensinaram a revelar fotos no quarto escuro.
eu precisava de papel fotográfico, negativo, a maquininha de copiar, muitas químicas, lâmpada vermelha... e tempo.
colocar o negativo na maquininha, o papel fotográfico logo abaixo, fazer a reprodução, deixar o papel de molho na química.
e esperar.
que se tirar o papel antes da hora, a imagem não aparece.
.
vez nenhuma me ensinaram sobre como lidar com o amor.
mas algo me diz que muito tem a ver com ar, espaço, tato e tempo.
que parece mesmo conseguirmos muito aprendendo por associação.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Vizinhos
.
barulho de chave.
barulho de chave na porta da frente.
.
- Oi, boa noite.
- Noite.
.
dedo no botão do elevador.
mão atrapalhada na fechadura.
.
- Quer uma ajuda aí?
- Não, é só a chave nova que tô testando... acho que não ficou boa.
- Hum. (...) Conseguiu, achar o síndico?
- Ahã, ontem.
- Hum. Que bom.
- É.
.
tempo. silêncio.
.
- Amanhã vão fechar a água.
- É. Chato.
- Chato. (...) Ficou bem, essa roupa em você.
- Oi?
- A roupa.
- Ah. 'É nova, mas ninguém tinha reparado', pensa. Mas somente 'Obrigada', diz.
-Hum.
.
chega o elevador
destrava a chave da porta
.
- Tchau, boa noite.
- Noite.
...
Ter vizinho é ter total intimidade com aquele que te desconhece por completo.
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barulho de chave.
barulho de chave na porta da frente.
.
- Oi, boa noite.
- Noite.
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dedo no botão do elevador.
mão atrapalhada na fechadura.
.
- Quer uma ajuda aí?
- Não, é só a chave nova que tô testando... acho que não ficou boa.
- Hum. (...) Conseguiu, achar o síndico?
- Ahã, ontem.
- Hum. Que bom.
- É.
.
tempo. silêncio.
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- Amanhã vão fechar a água.
- É. Chato.
- Chato. (...) Ficou bem, essa roupa em você.
- Oi?
- A roupa.
- Ah. 'É nova, mas ninguém tinha reparado', pensa. Mas somente 'Obrigada', diz.
-Hum.
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chega o elevador
destrava a chave da porta
.
- Tchau, boa noite.
- Noite.
...
Ter vizinho é ter total intimidade com aquele que te desconhece por completo.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Raspa O Tacho, Mas Fala Baixo
esse era o título de uma estorinha da turma da mônica que li lá na remota infância e, sabe-se lá por que cargas d’água, nunca mais esqueci.
sei que falava da raspa do doce da vó nena, tia da magali, fera em quitutinhos e cujos tachos eram alvo de briga da turma. é. eu também amava raspar os tachos de bolo da minha mãe, embora nem soubesse que o nome daquilo era tacho, aprendi com o maurício de souza. é. eu era uma criança gulosa.
não me importava com minha madrinha dizendo que podia fazer mal, que dava dor de barriga, até mesmo usando o golpe baixo do “aí dentro tem ovo cru”... o tacho era mais gostoso que o bolo, eu dizia, com os dedinhos lambuzados dentro da vasilha. ficava sentadinha no chão da cozinha e era capaz de dizer se aquele bolo ficaria bom ou não, só pelo gosto da massa. virei especialista!
eis que um dia, numa visita à loja de importados para cozinha (alegria da minha mãe, quando abriu uma perto de casa), ela chega com um sorriso largo e uma espátula molenga de silicone que deixava o pote tão limpo que era em vão a minha tentativa de meter o dedo no fundo da cumbuca.
minha mãe aderiu ao pão duro. e eu fiquei desconsolada.
hoje, cerca de dezoito a vinte anos após este episódio, tenho minha própria casa e, óbvio, não uso o pão duro. na verdade, nem sabia que tinha. foi um dia, numa visita da minha mãe, que ela achou um absurdo, onde estava ele, e, no que fui procurar, descobri sua existência.
faço bolo coisa de uma vez de três em três anos e hoje tive o prazer de raspar um tacho novamente! o bolo está no forno e, se meu radar infantil ainda funciona, vai ficar delicioso. e o melhor de tudo foi poder raspar o tacho sem ninguém repreender, poder voltar a ser moleca dentro das minhas quatro paredes! nada de pão duro, meus dedinhos não desaprenderam a técnica de deixar rapidamente uma cumbuca lisinha, como se estivesse limpa.
mas essa coisa toda na verdade foi só pra contextualizar mais uma pérola da minha mãe. porque me lembrei do dia em que ela veio aqui e sentiu falta do meu pão duro. “ah, tati, não é possível que você não tenha um pão duro, ninguém vive sem um pão duro, sua mãe vai te dar um pão duro e você vai ver como vai ser muito melhor...” só que minha mãe, figurinha, mestre em mudar a semântica das palavras, cismava que o nome do objeto ao invés de “pão”, era “pau”. releia as falas dela, por favor, com a devida mudança...
é, mãe, pode ser...
como diz meu pai, igual a essa, só mandando fazer.
.
sei que falava da raspa do doce da vó nena, tia da magali, fera em quitutinhos e cujos tachos eram alvo de briga da turma. é. eu também amava raspar os tachos de bolo da minha mãe, embora nem soubesse que o nome daquilo era tacho, aprendi com o maurício de souza. é. eu era uma criança gulosa.
não me importava com minha madrinha dizendo que podia fazer mal, que dava dor de barriga, até mesmo usando o golpe baixo do “aí dentro tem ovo cru”... o tacho era mais gostoso que o bolo, eu dizia, com os dedinhos lambuzados dentro da vasilha. ficava sentadinha no chão da cozinha e era capaz de dizer se aquele bolo ficaria bom ou não, só pelo gosto da massa. virei especialista!
eis que um dia, numa visita à loja de importados para cozinha (alegria da minha mãe, quando abriu uma perto de casa), ela chega com um sorriso largo e uma espátula molenga de silicone que deixava o pote tão limpo que era em vão a minha tentativa de meter o dedo no fundo da cumbuca.
minha mãe aderiu ao pão duro. e eu fiquei desconsolada.
hoje, cerca de dezoito a vinte anos após este episódio, tenho minha própria casa e, óbvio, não uso o pão duro. na verdade, nem sabia que tinha. foi um dia, numa visita da minha mãe, que ela achou um absurdo, onde estava ele, e, no que fui procurar, descobri sua existência.
faço bolo coisa de uma vez de três em três anos e hoje tive o prazer de raspar um tacho novamente! o bolo está no forno e, se meu radar infantil ainda funciona, vai ficar delicioso. e o melhor de tudo foi poder raspar o tacho sem ninguém repreender, poder voltar a ser moleca dentro das minhas quatro paredes! nada de pão duro, meus dedinhos não desaprenderam a técnica de deixar rapidamente uma cumbuca lisinha, como se estivesse limpa.
mas essa coisa toda na verdade foi só pra contextualizar mais uma pérola da minha mãe. porque me lembrei do dia em que ela veio aqui e sentiu falta do meu pão duro. “ah, tati, não é possível que você não tenha um pão duro, ninguém vive sem um pão duro, sua mãe vai te dar um pão duro e você vai ver como vai ser muito melhor...” só que minha mãe, figurinha, mestre em mudar a semântica das palavras, cismava que o nome do objeto ao invés de “pão”, era “pau”. releia as falas dela, por favor, com a devida mudança...
é, mãe, pode ser...
como diz meu pai, igual a essa, só mandando fazer.
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sábado, 24 de julho de 2010
Um Menino, A Rua E A Barbárie
odeio rotular as pessoas. que, no fundo, acho que ninguém é apenas aquilo que aparenta. que, sinceramente, penso ser restritivo demais, não se pode julgar o um pela média de ação do todo. mas às vezes o mundo grita em clichês, as pessoas assumem ser e agir conforme o estereótipo, negando toda a minha teoria de individualização.
o playboyzinho pitbull morador da barra da tijuca que bate pega no carrão do papai. o policial corrupto de pouca instrução que pede 10 mil reais para encobrir um crime e se fazer de surdo, cego e louco.
tudo aquilo que estamos todos carecas de saber, toda essa repetição que parece balela e nem mobiliza mais palavra nenhuma, escrito nenhum, todo mundo já sabe. mas se torna evidente quando a situação esbarra (literalmente) num menino que parece até escolhido a dedo para causar interesse e atenção nacional: o caçula, bom menino, inteligente, bonito, tranqüilo e pé no chão. filho de uma mulher que tem fama de transbordar alegria, transbordar amor pelos filhos, ostentar lindamente o cartaz da família unida. irmão de um cara que tem seis mil grandes amigos, que adora e é adorado por todos eles, que torce pelo irmão-menino e nos incentiva, os amigos, a torcer junto. que faz com que nós também nos aproximemos desse menino, aumentando a comoção. mas para fechar a caixinha com carimbo “prestem atenção”, essa mulher, esse irmão, são conhecidos e queridos nacionalmente, o que faz o caso não ser esquecido simplesmente, o que faz a estória se repetir por (por enquanto) cinco dias seguidos na capa do nosso maior jornal. foi preciso acontecer uma reviravolta na vida dessa mulher, foi preciso que essa mulher seja uma celebridade, para que seja mostrado em caps lock tudo aquilo que diariamente fingimos não ver.
e então socialmente, penso: e se fosse um dos outros dois meninos, como acabaria essa estória? ou melhor, em que ponto seria abafada essa estória? ou melhor, teria eu sabido dessa estória?
e então pessoalmente, penso: por trás de tudo há uma mãe. e, como mãe, a única coisa que sei é que deveria ser proibido por lei natural mãe perder filho. que isso vai contra qualquer lógica.
e então humanamente, penso: como é possível que nesse momento, nessa madrugada em que tudo começou, a preocupação do playboyzinho, seu papai e o sr. policial é em apagar as evidências do carro, retirar as provas do local do atropelamento e, certamente, passar no banco pra fazer os devidos “pagamentos”??? alguém por favor grita no ouvido desses três que “as provas do local” é um menino que precisa de atendimento? alguém por favor sacode essas cabeças pra que talvez elas percebam que gente que é gente, quando erra, precisa tentar consertar o erro e se apresentar, ao invés de apagar as provas e tentar sair ileso? alguém, por favor, faça isso. mas de uma próxima vez, posto que agora já não dá mais tempo.
e no meio de mil questões fico sem nenhuma resposta, a não ser a afirmação de que a mente humana vai mal, vai bastante mal. e não sei se há remédio para essa doença, posto que não se trata mais apenas de educação. é uma educação um pouco mais abrangente que não sei onde se aprende nem como se ensina.
a única coisa que as manchetes do jornal me mostram é que, tanto nesse caso, como por exemplo no outro do goleiro (infelizmente do meu time) que não gosto nem de repetir o nome: rico pra mim não é aquele que tem dinheiro. rico pra mim é aquele que teve condição de aprender o básico dessa educação que não se ensina na escola. quem sabe um dia, há de se ensinar.
o playboyzinho pitbull morador da barra da tijuca que bate pega no carrão do papai. o policial corrupto de pouca instrução que pede 10 mil reais para encobrir um crime e se fazer de surdo, cego e louco.
tudo aquilo que estamos todos carecas de saber, toda essa repetição que parece balela e nem mobiliza mais palavra nenhuma, escrito nenhum, todo mundo já sabe. mas se torna evidente quando a situação esbarra (literalmente) num menino que parece até escolhido a dedo para causar interesse e atenção nacional: o caçula, bom menino, inteligente, bonito, tranqüilo e pé no chão. filho de uma mulher que tem fama de transbordar alegria, transbordar amor pelos filhos, ostentar lindamente o cartaz da família unida. irmão de um cara que tem seis mil grandes amigos, que adora e é adorado por todos eles, que torce pelo irmão-menino e nos incentiva, os amigos, a torcer junto. que faz com que nós também nos aproximemos desse menino, aumentando a comoção. mas para fechar a caixinha com carimbo “prestem atenção”, essa mulher, esse irmão, são conhecidos e queridos nacionalmente, o que faz o caso não ser esquecido simplesmente, o que faz a estória se repetir por (por enquanto) cinco dias seguidos na capa do nosso maior jornal. foi preciso acontecer uma reviravolta na vida dessa mulher, foi preciso que essa mulher seja uma celebridade, para que seja mostrado em caps lock tudo aquilo que diariamente fingimos não ver.
e então socialmente, penso: e se fosse um dos outros dois meninos, como acabaria essa estória? ou melhor, em que ponto seria abafada essa estória? ou melhor, teria eu sabido dessa estória?
e então pessoalmente, penso: por trás de tudo há uma mãe. e, como mãe, a única coisa que sei é que deveria ser proibido por lei natural mãe perder filho. que isso vai contra qualquer lógica.
e então humanamente, penso: como é possível que nesse momento, nessa madrugada em que tudo começou, a preocupação do playboyzinho, seu papai e o sr. policial é em apagar as evidências do carro, retirar as provas do local do atropelamento e, certamente, passar no banco pra fazer os devidos “pagamentos”??? alguém por favor grita no ouvido desses três que “as provas do local” é um menino que precisa de atendimento? alguém por favor sacode essas cabeças pra que talvez elas percebam que gente que é gente, quando erra, precisa tentar consertar o erro e se apresentar, ao invés de apagar as provas e tentar sair ileso? alguém, por favor, faça isso. mas de uma próxima vez, posto que agora já não dá mais tempo.
e no meio de mil questões fico sem nenhuma resposta, a não ser a afirmação de que a mente humana vai mal, vai bastante mal. e não sei se há remédio para essa doença, posto que não se trata mais apenas de educação. é uma educação um pouco mais abrangente que não sei onde se aprende nem como se ensina.
a única coisa que as manchetes do jornal me mostram é que, tanto nesse caso, como por exemplo no outro do goleiro (infelizmente do meu time) que não gosto nem de repetir o nome: rico pra mim não é aquele que tem dinheiro. rico pra mim é aquele que teve condição de aprender o básico dessa educação que não se ensina na escola. quem sabe um dia, há de se ensinar.
sábado, 3 de julho de 2010
Insônia
insônia realmente é angustiante. ou deve ser, para quem tem. felizmente durmo que nem criança e em qualquer lugar. mas andei lendo um artigo do drauzio varella sobre o tema e resolvi compartilhar!
segue então o artigo dele, posteriormente comentado por esta que vos escreve.
com vocês:
dicas para quem dorme pouco por alguém que dorme muito:
Insônia
A insônia se caracteriza pela incapacidade de conciliar o sono e pode manifestar-se em seu período inicial, intermediário ou final. O tempo necessário para um sono reparador varia de uma pessoa para outra. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial. Localizar as causas da insônia pode ser facilitado pela poli-sonografia, um exame que monitora o paciente enquanto dorme.
senhor drauzio, o senhor acha mesmo que um insone vai conseguir dormir cheio de fio na cabeça? se ele não consegue na tranquilidade do seu lar?!
dica n° 1: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
Insônia pode ser tratada com medicamentos que devem ser prescritos pelo médico. Não se automedique.
"não se automedique" em nenhuma situação, não é mesmo? mas eu desconfio dos médicos. tomar remédio pra dormir? só em caso extremo, não? porque ele não vai te curar a insônia (a causa em si), vai fazer você chapar naquele dia.
dica n° 2: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
Causas da insônia
A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. Pesquisas apontam a produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse provocado pelo desgaste quotidiano ou por situações-limite como causas mais importantes.
bem, no caso de situações limite (como algo importante "de tirar o sono" no dia seguinte) não podemos chamar isso de insônia, não é mesmo? é normal, todo mundo tem direito de ter dias especiais nessa vida, o que é até saudável. mas se isso acontece todos os dias, acho que está na hora de rever seu conceito de "dias especiais" e "momentos importantes".
Recomendações
Algumas mudanças simples no estilo de vida podem ajudar a combater a insônia, mesmo quando ela for crônica:
·Limite o consumo de cafeína presente no café, chás, colas, chocolates, etc. Até a cafeína usada como ingrediente de alguns alimentos pode prejudicar o sono das pessoas mais sensíveis;
já provou chá-fé? prove de novo. da primeira vez eu também não gostei. hoje em dia não consigo tomar nem um gole de expresso. mas, se isso é impossível pra você, então tome menos, não é mesmo? seu estômago agradece.
·Converse com seu médico sobre os remédios que esteja usando. Certos medicamentos descongestionantes podem ser tão estimulantes quanto a cafeína;
lá vem o dr. drauzio e sua mania de remédios. remédio é coisa pra doente. por que que todo médico parte do princípio de que somos doentes?
dica n°3: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
·Exercite-se regularmente, mas não perto da hora de dormir. Atividade física regular é essencial para quem sofre de ansiedade e ajuda a dormir melhor. No entanto, a prática de exercícios vigorosos à noite pode atrapalhar o sono;
ontem saiu no jornal que exercício físico à noite fazia bem pro sono... enfim, enquanto os médicos discutem seus detalhes, de uma coisa a gente sabe: se dá sono ou não, não importa. mas só o fato de cansar já ajuda. estar cansado é o primeiro passo para dormir...
·Estabeleça uma rotina para seu horário de dormir e de despertar. O relógio biológico responde melhor se habituado a horários regulares. Mesmo nos finais de semana, tente manter o esquema estabelecido para os dias úteis;
isso porque provavelmente ele é um cidadão de rotina. se você é autônomo como eu, sabe que é um pouco difícil ter uma rotina quando não é você quem escolhe seus horários. e que a cada dia é alguém diferente quem escolhe os seus horários. portanto, confie apenas no seu despertador e tente se dar 8 horas de sono. e, às vezes, dizer "não posso, pra mim não vai dar" também é legal.
·Procure relaxar antes de ir para cama. Ouça música, leia um pouco, converse, assista a um filme. Lembre-se de que, depois de uma noite de sono reparador, as soluções para os problemas podem fluir melhor. Se nada disso resolver, vale a pena buscar ajuda profissional;
e acrescentaria a essa lista de relaxar: um vinho e coisinhas relaxantes. entendam a segunda coisa conforme seu gosto pessoal.
·Use técnicas de relaxamento. Progressivamente contraia e relaxe todos os músculos do corpo, começando pelos dedos dos pés e terminando na face. Massageie suavemente o couro cabeludo. Tente visualizar uma cena ou paisagem que lhe traga satisfação;
nunca tinha ouvido falar nessa técnica de relaxamento de contrair e relaxar todos os músculos... e olha que faço teatro há mais de 20 anos e a maioria das aulas começam ou terminam com o relaxamento. vou experimentar. quanto à massagem, essa pra mim é a melhor solução para quem tem insônia. mas como pra isso é preciso que haja alguém disponível para isso antes de você dormir, aconselho mexer na sobrancelha bem levinho. você mesmo faz e dá um soniiiim...
·Tome um banho morno. Deixe a água escorrer pelo corpo durante algum tempo, pois isso ajuda a relaxar os músculos tensos;
perfeito. tem também a bolsa de água quente, que é como levar o banho morno pra cama!
·Tome um copo de leite morno. O leite contém o aminoácido triptofano, que relaxa os músculos e induz o sono;
particularmente, odeio leite. só com café. mas, como estamos aqui falando de quem não tem facilidade para dormir (porque eu realmente não vejo problema em tomar um café quentinho e dormir em seguida...) tenho um outro conselho que li outro dia e me pareceu bom: leite morno com canela é bom pro sono. se vai te fazer dormir eu não sei, mas o sabor do leite morno com canela me pareceu bastante agradável...
·Experimente ingerir chás à base de ervas como camomila, erva-doce, erva-cidreira, etc. Eles têm sido usados há séculos por pessoas que garantem sua ação relaxante;
não confunda com chás à base de chá preto. iced tea não é bem um chazinho, vai.
·Certifique-se de que não há claridade no quarto e a temperatura é agradável. Mesmo pouca luz pode atrapalhar o sono de algumas pessoas.
black out nas cortinas!
·Use protetores nos ouvidos, se o barulho incomoda e não há como eliminá-lo;
na cidade grande, isso é realmente um problema. até eu tenho acordado querendo bater no responsável pela obra aqui do lado.
·Escolha o colchão adequado para seu peso e altura. Colchões muito macios ou muito duros são contra-indicados;
·Reserve a cama somente para dormir e para relações íntimas. Evite ler, ver TV, trabalhar e conversar no quarto;
tirei o computador do quarto! super aconselho!
·Relações sexuais são relaxantes. Após o orgasmo, as pessoas tendem a ficar sonolentas;
olha só, que maravilha. eu confesso que fico muito bem disposta, obrigada, após as relações. mas como elas vêm geralmente acompanhadas de cafuné eu durmo rapidamente. aliás, quando é mesmo que eu não durmo rapidamente?
mas ainda sobre isso, outro dia estive pensando sobre os tântricos da vida. porque assim, deve ser excepcional. na verdade, o mínimo do mínimo que pude experimentar, comprovou. é excepcional. mas não é preciso expelir seus potenciais junto do tal zinco, para relaxar? então, meu amigo tântrico, desapegue. você vai produzir mais, não se preocupe.
·Levante-se, se não conseguiu dormir depois de trinta minutos deitado. Ficar na cama acordado pode aumentar a ansiedade, a irritação e, conseqüentemente, a insônia. Procure distrair-se com alguma atividade tranqüila e depois, mais cansado, volte para a cama e tente dormir. Repita o esquema, se necessário. Usando essa técnica, muitas pessoas conseguem reverter o processo.
discordei, dr dráuzio. penso que essa situação está errada desde o início da sua colocação. se o insone já vai pra cama pensando que ele é insone e não vai conseguir dormir (ai meu deus, está na hora de dormir, eu sou insone e não vou conseguir dormir)... pára tudo. tudo errado, assim você não vai dormir mesmo.
dica n°4: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
então, se está na hora de dormir, vá deitar. se você não conseguir dormir, não tem problema, não durma. mas descanse seu corpo, pelo menos. não dá pra pensar que nós é que controlamos o sono, tem de deixar ele vir. e o corpo precisa dele, mais cedo ou mais tarde ele vai vir.
então se você passou a noite inteira deitado, descansando, e sem dormir, levante-se na hora em que tem de levantar e siga seu dia normalmente. o corpo está descansado para isso. na próxima noite, faça o mesmo. deite sem a preocupação de ter de dormir. só descanse o corpo. nem o maior dos insones vai conseguir virar mais de 3 noites... eu acho.
bom, o artigo do dr. dráuzio acaba meio deprê, achei melhor parar por aqui.
então fui olhar outros especialistas, já que, mesmo admirando o dr varella, discordei bastante dele. google, pesquisa, insônia, mil artigos, tempo passa e eu lendo, lendo, lendo.
enquanto lia, pensava: mas por quê, meu deus, essas pessoas não conseguem dormir??
então olhei o relógio.
daqui a pouco vai amanhecer.
e daqui a mais um pouco eu vou acordar.
e o que eu estou fazendo acordada até essa hora???
entendi os insones.
.
segue então o artigo dele, posteriormente comentado por esta que vos escreve.
com vocês:
dicas para quem dorme pouco por alguém que dorme muito:
Insônia
A insônia se caracteriza pela incapacidade de conciliar o sono e pode manifestar-se em seu período inicial, intermediário ou final. O tempo necessário para um sono reparador varia de uma pessoa para outra. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial. Localizar as causas da insônia pode ser facilitado pela poli-sonografia, um exame que monitora o paciente enquanto dorme.
senhor drauzio, o senhor acha mesmo que um insone vai conseguir dormir cheio de fio na cabeça? se ele não consegue na tranquilidade do seu lar?!
dica n° 1: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
Insônia pode ser tratada com medicamentos que devem ser prescritos pelo médico. Não se automedique.
"não se automedique" em nenhuma situação, não é mesmo? mas eu desconfio dos médicos. tomar remédio pra dormir? só em caso extremo, não? porque ele não vai te curar a insônia (a causa em si), vai fazer você chapar naquele dia.
dica n° 2: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
Causas da insônia
A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. Pesquisas apontam a produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse provocado pelo desgaste quotidiano ou por situações-limite como causas mais importantes.
bem, no caso de situações limite (como algo importante "de tirar o sono" no dia seguinte) não podemos chamar isso de insônia, não é mesmo? é normal, todo mundo tem direito de ter dias especiais nessa vida, o que é até saudável. mas se isso acontece todos os dias, acho que está na hora de rever seu conceito de "dias especiais" e "momentos importantes".
Recomendações
Algumas mudanças simples no estilo de vida podem ajudar a combater a insônia, mesmo quando ela for crônica:
·Limite o consumo de cafeína presente no café, chás, colas, chocolates, etc. Até a cafeína usada como ingrediente de alguns alimentos pode prejudicar o sono das pessoas mais sensíveis;
já provou chá-fé? prove de novo. da primeira vez eu também não gostei. hoje em dia não consigo tomar nem um gole de expresso. mas, se isso é impossível pra você, então tome menos, não é mesmo? seu estômago agradece.
·Converse com seu médico sobre os remédios que esteja usando. Certos medicamentos descongestionantes podem ser tão estimulantes quanto a cafeína;
lá vem o dr. drauzio e sua mania de remédios. remédio é coisa pra doente. por que que todo médico parte do princípio de que somos doentes?
dica n°3: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
·Exercite-se regularmente, mas não perto da hora de dormir. Atividade física regular é essencial para quem sofre de ansiedade e ajuda a dormir melhor. No entanto, a prática de exercícios vigorosos à noite pode atrapalhar o sono;
ontem saiu no jornal que exercício físico à noite fazia bem pro sono... enfim, enquanto os médicos discutem seus detalhes, de uma coisa a gente sabe: se dá sono ou não, não importa. mas só o fato de cansar já ajuda. estar cansado é o primeiro passo para dormir...
·Estabeleça uma rotina para seu horário de dormir e de despertar. O relógio biológico responde melhor se habituado a horários regulares. Mesmo nos finais de semana, tente manter o esquema estabelecido para os dias úteis;
isso porque provavelmente ele é um cidadão de rotina. se você é autônomo como eu, sabe que é um pouco difícil ter uma rotina quando não é você quem escolhe seus horários. e que a cada dia é alguém diferente quem escolhe os seus horários. portanto, confie apenas no seu despertador e tente se dar 8 horas de sono. e, às vezes, dizer "não posso, pra mim não vai dar" também é legal.
·Procure relaxar antes de ir para cama. Ouça música, leia um pouco, converse, assista a um filme. Lembre-se de que, depois de uma noite de sono reparador, as soluções para os problemas podem fluir melhor. Se nada disso resolver, vale a pena buscar ajuda profissional;
e acrescentaria a essa lista de relaxar: um vinho e coisinhas relaxantes. entendam a segunda coisa conforme seu gosto pessoal.
·Use técnicas de relaxamento. Progressivamente contraia e relaxe todos os músculos do corpo, começando pelos dedos dos pés e terminando na face. Massageie suavemente o couro cabeludo. Tente visualizar uma cena ou paisagem que lhe traga satisfação;
nunca tinha ouvido falar nessa técnica de relaxamento de contrair e relaxar todos os músculos... e olha que faço teatro há mais de 20 anos e a maioria das aulas começam ou terminam com o relaxamento. vou experimentar. quanto à massagem, essa pra mim é a melhor solução para quem tem insônia. mas como pra isso é preciso que haja alguém disponível para isso antes de você dormir, aconselho mexer na sobrancelha bem levinho. você mesmo faz e dá um soniiiim...
·Tome um banho morno. Deixe a água escorrer pelo corpo durante algum tempo, pois isso ajuda a relaxar os músculos tensos;
perfeito. tem também a bolsa de água quente, que é como levar o banho morno pra cama!
·Tome um copo de leite morno. O leite contém o aminoácido triptofano, que relaxa os músculos e induz o sono;
particularmente, odeio leite. só com café. mas, como estamos aqui falando de quem não tem facilidade para dormir (porque eu realmente não vejo problema em tomar um café quentinho e dormir em seguida...) tenho um outro conselho que li outro dia e me pareceu bom: leite morno com canela é bom pro sono. se vai te fazer dormir eu não sei, mas o sabor do leite morno com canela me pareceu bastante agradável...
·Experimente ingerir chás à base de ervas como camomila, erva-doce, erva-cidreira, etc. Eles têm sido usados há séculos por pessoas que garantem sua ação relaxante;
não confunda com chás à base de chá preto. iced tea não é bem um chazinho, vai.
·Certifique-se de que não há claridade no quarto e a temperatura é agradável. Mesmo pouca luz pode atrapalhar o sono de algumas pessoas.
black out nas cortinas!
·Use protetores nos ouvidos, se o barulho incomoda e não há como eliminá-lo;
na cidade grande, isso é realmente um problema. até eu tenho acordado querendo bater no responsável pela obra aqui do lado.
·Escolha o colchão adequado para seu peso e altura. Colchões muito macios ou muito duros são contra-indicados;
·Reserve a cama somente para dormir e para relações íntimas. Evite ler, ver TV, trabalhar e conversar no quarto;
tirei o computador do quarto! super aconselho!
·Relações sexuais são relaxantes. Após o orgasmo, as pessoas tendem a ficar sonolentas;
olha só, que maravilha. eu confesso que fico muito bem disposta, obrigada, após as relações. mas como elas vêm geralmente acompanhadas de cafuné eu durmo rapidamente. aliás, quando é mesmo que eu não durmo rapidamente?
mas ainda sobre isso, outro dia estive pensando sobre os tântricos da vida. porque assim, deve ser excepcional. na verdade, o mínimo do mínimo que pude experimentar, comprovou. é excepcional. mas não é preciso expelir seus potenciais junto do tal zinco, para relaxar? então, meu amigo tântrico, desapegue. você vai produzir mais, não se preocupe.
·Levante-se, se não conseguiu dormir depois de trinta minutos deitado. Ficar na cama acordado pode aumentar a ansiedade, a irritação e, conseqüentemente, a insônia. Procure distrair-se com alguma atividade tranqüila e depois, mais cansado, volte para a cama e tente dormir. Repita o esquema, se necessário. Usando essa técnica, muitas pessoas conseguem reverter o processo.
discordei, dr dráuzio. penso que essa situação está errada desde o início da sua colocação. se o insone já vai pra cama pensando que ele é insone e não vai conseguir dormir (ai meu deus, está na hora de dormir, eu sou insone e não vou conseguir dormir)... pára tudo. tudo errado, assim você não vai dormir mesmo.
dica n°4: esqueça que o que você tem é uma doença. está tudo bem com você, só falta relaxar...
então, se está na hora de dormir, vá deitar. se você não conseguir dormir, não tem problema, não durma. mas descanse seu corpo, pelo menos. não dá pra pensar que nós é que controlamos o sono, tem de deixar ele vir. e o corpo precisa dele, mais cedo ou mais tarde ele vai vir.
então se você passou a noite inteira deitado, descansando, e sem dormir, levante-se na hora em que tem de levantar e siga seu dia normalmente. o corpo está descansado para isso. na próxima noite, faça o mesmo. deite sem a preocupação de ter de dormir. só descanse o corpo. nem o maior dos insones vai conseguir virar mais de 3 noites... eu acho.
bom, o artigo do dr. dráuzio acaba meio deprê, achei melhor parar por aqui.
então fui olhar outros especialistas, já que, mesmo admirando o dr varella, discordei bastante dele. google, pesquisa, insônia, mil artigos, tempo passa e eu lendo, lendo, lendo.
enquanto lia, pensava: mas por quê, meu deus, essas pessoas não conseguem dormir??
então olhei o relógio.
daqui a pouco vai amanhecer.
e daqui a mais um pouco eu vou acordar.
e o que eu estou fazendo acordada até essa hora???
entendi os insones.
.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Rascunho
.
o frio que fazia fora ressoava dentro e... seleciona. deleta. essa não sou eu.
o rio que fazia a volta atrás da casa não... seleciona. deleta. esse não é meu.
escreve, pensa. deleta.
escreve, pensa. deleta.
escreve, pensa. deleta.
que antes, naquele antes em que usávamos caderno e lápis, ao menos era necessária alguma força braçal para usar borracha. e, ainda assim, se essa força não fosse lá muito significativa, o escrito ficava ali, numa sombrinha. ficava ali, lembrando, tentando os olhos de que ainda poderia ser lido, caso a mente se esquecesse de esquecer.
e confesso que jamais consegui escrever à caneta, pelo seu poder de eternidade. ou pelo meu pavor de texto rabiscado.
e foi então que o computador, meu temido inimigo na época de excesso de idealismo, surgiu como um querido companheiro guardador de palavras. sem apontador de sujar papel, sem a angustiante última página do caderno e com a tecla delete. que limpa daquele jeito fácil. jeito de recomeço, de caderno novo: seleciona, deleta.
e teclando, tantos rascunhos puderam ser expurgados.
expurgados e apagados.
e sentindo, tantos gritos puderam ser digitados.
e às vezes, muitas vezes apagados.
rascunho passou a fazer parte não mais daquilo que era inacabado.
rascunho agora entrou na lista do que é transitório.
e assim, como quem não quer nada, pode-se sempre recomeçar do zero.
deletar passado, desvencilhar contatos, criar novo perfil, ou novo site.
jogar arquivo na lixeira.
e pra onde será que vai tanto lixo? onde se escondem as palavras?
será que uma vez deletadas não iremos nunca revisitá-las?
nunca alcançaremos a saudade, a memória, a vontade de abrir agenda antiga e re-sentir?
quase sinto esse reflexo hoje em dia.
do mundo de palavras apagáveis.
da sobra de poemas ejetáveis.
e então sozinha eu peço (torço, rezo) pra que toda essa evolução prática da nossa vida escrita
não ecoe dentro, na atitude das pessoas, nenhuma delas.
e então sozinha eu rezo (quero, espero) não deixar passar pro corpo
todo esse mecanismo deletável num clique. num encostar de tecla.
é que na verdade eu temo (tremo, vivo)
todo esse horror pensado, tudo isso
eu temo que hoje, isso
já nos tenha acontecido.
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o frio que fazia fora ressoava dentro e... seleciona. deleta. essa não sou eu.
o rio que fazia a volta atrás da casa não... seleciona. deleta. esse não é meu.
escreve, pensa. deleta.
escreve, pensa. deleta.
escreve, pensa. deleta.
que antes, naquele antes em que usávamos caderno e lápis, ao menos era necessária alguma força braçal para usar borracha. e, ainda assim, se essa força não fosse lá muito significativa, o escrito ficava ali, numa sombrinha. ficava ali, lembrando, tentando os olhos de que ainda poderia ser lido, caso a mente se esquecesse de esquecer.
e confesso que jamais consegui escrever à caneta, pelo seu poder de eternidade. ou pelo meu pavor de texto rabiscado.
e foi então que o computador, meu temido inimigo na época de excesso de idealismo, surgiu como um querido companheiro guardador de palavras. sem apontador de sujar papel, sem a angustiante última página do caderno e com a tecla delete. que limpa daquele jeito fácil. jeito de recomeço, de caderno novo: seleciona, deleta.
e teclando, tantos rascunhos puderam ser expurgados.
expurgados e apagados.
e sentindo, tantos gritos puderam ser digitados.
e às vezes, muitas vezes apagados.
rascunho passou a fazer parte não mais daquilo que era inacabado.
rascunho agora entrou na lista do que é transitório.
e assim, como quem não quer nada, pode-se sempre recomeçar do zero.
deletar passado, desvencilhar contatos, criar novo perfil, ou novo site.
jogar arquivo na lixeira.
e pra onde será que vai tanto lixo? onde se escondem as palavras?
será que uma vez deletadas não iremos nunca revisitá-las?
nunca alcançaremos a saudade, a memória, a vontade de abrir agenda antiga e re-sentir?
quase sinto esse reflexo hoje em dia.
do mundo de palavras apagáveis.
da sobra de poemas ejetáveis.
e então sozinha eu peço (torço, rezo) pra que toda essa evolução prática da nossa vida escrita
não ecoe dentro, na atitude das pessoas, nenhuma delas.
e então sozinha eu rezo (quero, espero) não deixar passar pro corpo
todo esse mecanismo deletável num clique. num encostar de tecla.
é que na verdade eu temo (tremo, vivo)
todo esse horror pensado, tudo isso
eu temo que hoje, isso
já nos tenha acontecido.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Modo De Usar
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modo de usar um coração cansado:
1. vaza. isso mesmo, você entendeu bem, sai daqui.
2. ok, você insiste, vamos lá. o que você quer? uma relação estável, um casamento belo e filhos correndo pela casa? resposta errada, isso só se descobre com o tempo, não é assim que funciona. sexo? hm... se você for limpinho, poderemos estudar essa proposta. virar meu brother? não, obrigada, já tenho muitos, não estou interessada. nada? como nada? só ficar aqui mais um pouquinho? ...ok, próximo passo.
3. não tente jogar nem ser malandro. de boba eu só tenho cara e jeito.
4. não me venha com flores e bombons. acho cafona. declarações e frases feitas. acho cafona. aliás, tenho achado quase tudo cafona, me desculpe, meu bem.
5. não me venha com vozinha de criança. já foi-se o tempo em que eu achava bonitinho.
6. tenho irmãs, muitos amigos homens, um trabalho que me consome, uma vida própria arduamente conquistada. segura tua onda de ciúmes. até porque eu sou respeitosa nesse sentido.
7. paixão tem que ser equilibrada. se você vier demais, eu fujo. se você vier de menos, eu fujo.
8. sou sempre da verdade. pode falar, que dói menos.
9. sexo é muito bom, mas não me deixe com marcas no pescoço. já passamos dos 15.
10. o que você faz da vida? independentemente do que seja, é importante que você faça alguma coisa da sua vida.
11. gosto muito de carinho, mas odeio grude.
12. gosto muito de sair, mas odeio night.
13. gosto muito de ficar em casa, mas odeio me sentir enfurnada.
14. sobre o celular: se eu te ligar e você não puder atender, fala logo, assim que puder. se eu te mandar um torpedo, me responda ainda que seja um "não". se você me ligar e eu não atender, o farei assim que puder. se você me mandar um torpedo e eu não responder, pode ser que não saiba como te dizer um "não".
15. grossa? só até a página 2. fofa? só até o primeiro parágrafo. cascorada? é, tens razão.
16. pode insistir, manuseie com moderação e bom apetite.
modo de usar um coração que ainda:
1. oooooi.
2. sorriso de canto de boca. e aí, o que você manda?
3. acho malandragem até bonitinho, mas é o primeiro passo pra não confiar em você.
4. um girassol plantado ou uma planta num vaso? acho cafona não, pode ser um presente interessante...
5. sussuro não é vozinha de criança.
6. ciúme é sempre ponto pro sujeito de quem você tem ciúme. mas uma pegada bem dada na cintura de "vem aqui que você é minha" soa bem.
7. paixão tem de ser equilibrada. me olha nos olhos que a gente percebe juntos como estamos.
8. sou sempre da verdade, mas só me conte o que eu te perguntar.
9. sexo é muito bom, não me deixe na vontade. já passamos dos 15.
10. o que você faz da vida? e o que pretende fazer? vamos fazer planos juntos?
11. gosto muito de carinho. se você gosta de fazer, ótimo. se não... não quer tentar? se você gosta de receber, ótimo. se não... me avisa, que eu faço em mim mesma.
12. gosto muito de sair, qual é a boa?
13. gosto muito de ficar em casa, qual é o filme?
14. sobre o celular: guardei uma mensagem na caixa de rascunhos e estou na dúvida se envio ou não...
15. grossa? fofa? cascorada? ah... ainda estou disposta a tentar.
16. seja bem vindo.
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modo de usar um coração cansado:
1. vaza. isso mesmo, você entendeu bem, sai daqui.
2. ok, você insiste, vamos lá. o que você quer? uma relação estável, um casamento belo e filhos correndo pela casa? resposta errada, isso só se descobre com o tempo, não é assim que funciona. sexo? hm... se você for limpinho, poderemos estudar essa proposta. virar meu brother? não, obrigada, já tenho muitos, não estou interessada. nada? como nada? só ficar aqui mais um pouquinho? ...ok, próximo passo.
3. não tente jogar nem ser malandro. de boba eu só tenho cara e jeito.
4. não me venha com flores e bombons. acho cafona. declarações e frases feitas. acho cafona. aliás, tenho achado quase tudo cafona, me desculpe, meu bem.
5. não me venha com vozinha de criança. já foi-se o tempo em que eu achava bonitinho.
6. tenho irmãs, muitos amigos homens, um trabalho que me consome, uma vida própria arduamente conquistada. segura tua onda de ciúmes. até porque eu sou respeitosa nesse sentido.
7. paixão tem que ser equilibrada. se você vier demais, eu fujo. se você vier de menos, eu fujo.
8. sou sempre da verdade. pode falar, que dói menos.
9. sexo é muito bom, mas não me deixe com marcas no pescoço. já passamos dos 15.
10. o que você faz da vida? independentemente do que seja, é importante que você faça alguma coisa da sua vida.
11. gosto muito de carinho, mas odeio grude.
12. gosto muito de sair, mas odeio night.
13. gosto muito de ficar em casa, mas odeio me sentir enfurnada.
14. sobre o celular: se eu te ligar e você não puder atender, fala logo, assim que puder. se eu te mandar um torpedo, me responda ainda que seja um "não". se você me ligar e eu não atender, o farei assim que puder. se você me mandar um torpedo e eu não responder, pode ser que não saiba como te dizer um "não".
15. grossa? só até a página 2. fofa? só até o primeiro parágrafo. cascorada? é, tens razão.
16. pode insistir, manuseie com moderação e bom apetite.
modo de usar um coração que ainda:
1. oooooi.
2. sorriso de canto de boca. e aí, o que você manda?
3. acho malandragem até bonitinho, mas é o primeiro passo pra não confiar em você.
4. um girassol plantado ou uma planta num vaso? acho cafona não, pode ser um presente interessante...
5. sussuro não é vozinha de criança.
6. ciúme é sempre ponto pro sujeito de quem você tem ciúme. mas uma pegada bem dada na cintura de "vem aqui que você é minha" soa bem.
7. paixão tem de ser equilibrada. me olha nos olhos que a gente percebe juntos como estamos.
8. sou sempre da verdade, mas só me conte o que eu te perguntar.
9. sexo é muito bom, não me deixe na vontade. já passamos dos 15.
10. o que você faz da vida? e o que pretende fazer? vamos fazer planos juntos?
11. gosto muito de carinho. se você gosta de fazer, ótimo. se não... não quer tentar? se você gosta de receber, ótimo. se não... me avisa, que eu faço em mim mesma.
12. gosto muito de sair, qual é a boa?
13. gosto muito de ficar em casa, qual é o filme?
14. sobre o celular: guardei uma mensagem na caixa de rascunhos e estou na dúvida se envio ou não...
15. grossa? fofa? cascorada? ah... ainda estou disposta a tentar.
16. seja bem vindo.
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