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quinta-feira, 4 de março de 2010

Prós e Contras

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chovia lá fora.
saí de bota.
o bom da bota é que ela é garantia de pés sequinhos, pra quem sabe da volta pra casa só tardão.
o bom da bota é que chuva vira menos obstáculo e mais refresco contemplativo.
só que.
a chuva não trouxe o frio e bota esquenta à beça.
mas os pés permaneceram secos.
só que.
a bota tinha saltinho e fiquei na ponta o dia inteiro.
mas os pés permaneceram secos.
só que.
eu aparentava bem mais formal do que sou (não eram galochas) e compromissos casuais do dia soaram desencaixados.
mas os pés permaneceram secos.
só que.
sambar de bota é dissonante portanto repensei o descanso mental do final do dia.
mas os pés permaneceram secos.

pensei.
pesei.

na próxima chuva, levo uma toalha.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Vale Felicidade

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- porque o vírus quando sente que não está em ambiente propício se recolhe, mas não morre. e no dia em que o local volta às devidas condições favoráveis, ele se alastra novamente como se o tempo não tivesse passado.
- e você acha que o amor é como o vírus?
- é, tipo isso.


tá. eu não. sempre fui a favor de proporcionar as condições propícias. porque vida não espera.
mas tá. eu sim. sempre fui capaz de deixar guardado como se o tempo não tivesse passado. porque amor não é coisinha fácil de se achar em qualquer esquina.

coração guardado em freezer é realmente característica (pois não ousaria dizer qualidade) que nasceu comigo.
é que amor,
tal como verdade, felicidade, fantasia, chocolate e essas coisas absolutas,
não têm tempo.
não têm espaço.
moram num universo paralelo e se impõem e se sobrepõem sem que tenhamos menor chance de controlar.
então o tempo é deles e não nosso.
então deixamos de lado a mania de são pedro de querer mandar no tempo, pra não fazer chover onde alagado está.

e como saber o que se deve (até que ponto) fazer? o que se deve (até que ponto) deixar de? o que se deve simplesmente aguardar?
fica a dúvida.
fica o "vale".
um tal papelzinho imaginário escrito "felicidade" em letras miúdas que a gente guarda com todo afeto.
uma tal chance de que se não é pra hoje, um dia há de ser.
uma esperança qualquer que faz os dias correrem com um pouco mais de sorriso e firmeza nos pés.

porque sem objetivo não se levanta da cama.
e sem se levantar não se consegue nem manter a cama.

tentando então andar pelo caminho do meio, sempre mais saudável (imagino), nem imponho nem deixo estar.
faço o que me cabe ainda que seja quase nada.
um suspiro,
um sorriso,
uma lembrança.
pois dizem que o tempo resolve tudo. mas se não for verdade, ao menos a cabeça encosta leve no travesseiro, sabendo-se ter feito todo o possível.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Essa Coisa Antiga

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pois ao encontrar papel amarelado, com as dobras em semi amasso, não. não vai pro lixo.
vem pra cá.
pois na falta de tempo pra novos textos, vai que alguém se identifica.
vai sabeeer... lá laiá laiááá...
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Espelho.

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quando o outro é um espelho seu, é duro e dolorido. se enxergar assim ao vivo e a cores soa bastante esquisito. porém fica bem mais fácil de compreender. o outro. quando sabe-se de si.

perguntas que faço à parede, pois daquelas explicaçõezinhas concordo que não precisamos.

- o que você veio fazer aqui? pra quê?
- por que quis me contar aquela estória toda? qual intuito?
- por que trocar o sujeito da oração, detalhe relevante? mentira? resguardo? covardia? não entendi.
- pra quê tanto cuidado com uma estória nova como a nossa? precisa?

é que no fundo, apesar de alguma tristeza, ou alguma raiva, ou alguma decepção, ou não só alguma mas muita, eu leio esse conjunto de atitudes atropeladas como tentativa de respeito e/ou consideração com esse início de caminho.
e então te digo.
isso pra mim (essa tentativa) é o mais importante.
ainda que possa ser uma tentativa apenas para se sentir melhor, "o cara bacana", dormir com a cabeça leve no travesseiro... me diga: adianta?

e então pergunto (só mais essa)

- se no decorrer dessa semana você pensar em mim, me avisa?

(que o bom da verdade é que às vezes é ótimo ouvir)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Minha Bola

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era a bola de argila bem moldável e suplicante que havia em minha mão.
eu moldei detalhadinhas, cuidadosa a pinceladas, peças soltas de mosaico.
depois encontrei uns pares muitas vezes simbióticos, vezes menos encaixados,
fui formando grande rede com as pecinhas, não mais soltas.
eu fui dando mais sentido ao meu tal bolo de massa
e a bola criou corpo e a bola criou vida e eu fiquei felicitada
e fui aumentando a rede, fui diminuindo a bola, fui sorrindo a cada peça.
eu não tinha terminado.
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era uma vez mão outra que pegou uma das peças e juntou do outro lado.
era mão bem insistente que mexeu na outra ponta, virou essa assim pra baixo, pegou aquela do cantinho e juntou na bola grande, fez revolução brutal na idéia de início de pecinhas encaixadas.
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era uma vez, mais calma, eu olhando aquela massa que não pertencia a mim.
e aquela argila em bola, que de início era tão minha, não queria nem pintada.
e a mão bagunçadora, que me ria tão sapeca, era quase inocente.
e era eu a ver o mundo com meus olhos quase espertos, que enxerga como pode, que prevê que lá vem chuva.
era uma vez a bola que parou bem na garganta e eu não quis indigestão.
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era uma vez um bosque que havia do outro lado onde eu nunca passeava.
era um chão com muita argila tão moldável e suplicante quanto a bola de outra página
era eu com a mão no barro e a calma de um início a juntar bola moldável.
eu tinha recomeçado.
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era a bola de argila bem moldável e suplicante que havia em minha mão.
eu moldei detalhadinhas, cuidadosa a pinceladas, peças soltas de mosaico.
depois encontrei uns pares muitas vezes simbióticos, vezes menos encaixados,
fui formando grande rede com as pecinhas, não mais soltas.
eu fui dando mais sentido ao meu tal bolo de massa
e a bola criou corpo e a bola criou vida e eu fiquei felicitada
e fui aumentando a rede, fui diminuindo a bola, fui sorrindo a cada peça.
eu não tinha terminado.
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era uma vez mão outra..... sai pra lá!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vida Vida Vida

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e se é necessário passar fome, digo, comer pouco, aproveita pra economizar aquele bocado e te compra um presentinho. e no final das contas, você sorrirá de frente pro espelho pois toda mulher gosta de ficar mais magra.
e se você madruga, digo, acorda cedo, pra trabalhar no que gosta e escolheu, aproveita e põe um sorriso no rosto. e no final das contas, ou nas contas do final do mês, valerá a pena ter dado duro naquilo que se sabe fazer bem.
e se a vida te põe em encruzilhadas, digo, se te propõe momentos para pensar e crescer, aproveita e cresce. ou tenta. ou vive. no final das contas, nunca terá a sensação de ter vindo a este lugar a passeio.
e se tens amigos... ora, agradece.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

(Peri) Patética

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"automóvel lá nem se sabe
se é homem ou se é muié
quem é rico anda em burrico
quem é pobre anda a pé
mas o pobre vê nas estrada
o orvaio beijando as flô
vê de perto o galo campina
que quando canta muda de cor
vai moiando os pés nos riacho
que água fresca, nosso sinhô!
vai olhando as coisa a grané
coisa que pra mo'de ver
o cristão tem que andar a pé."

pois é, gonzagão.

no dia a dia sempre tão apressado mal dá tempo de olhar e de perceber o mundo em volta.
então eis que se tira uma tarde mais livre para caminhar pela cidade, apenas observando dentro e fora. e tudo o que se vê é o resultado das pressas de outrens: um motoqueiro atropelado, mais adiante um vidro estilhaçado no asfalto, mais adiante um poste de nome de rua tombado por algum automóvel, mais adiante um caminhão sobre metade de um canteiro destruído na calçada. não houve mais adiante pois cheguei ao destino. felizmente, intacta.

penso então no quanto andamos atropelando coisas e/ou fatos por conta da constante pressa. penso então se algum dia houve um auto atropelamento. penso então que muitos devem ter havido.

e por falar em pensar, e por falar em andar, dizem que na grécia viveram os tais "peripatéticos", os tais filósofos que pensavam caminhando. que o andar ajudava no movimento interno de assimilar e descobrir e entender e.
eu concordava sem nem nunca ter tentado.

e em lembrando deles, e da pressa, e do dia livre, e das mil e uma questões internas, lá fui peripateticar... leblon, gávea, jardim botânico, humaitá.
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e foi pouco.
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